8/7/2005
Abertura da temporada 2005 - O espetáculo das Baleias Francas

O espetáculo das Baleias Francas O Governo do Estado e o Instituto Baleia Franca realizam evento oficial de abertura da temporada de observação dos mamíferos marinhos Elas são dóceis, podem chegar a medir até 18 metros e pesar mais de 40 toneladas. Num passado bem próximo foram dizimadas, mas hoje, as baleias movimentam a economia de uma forma mais bela e bem menos trágica: o turismo de observação, que une educação ambiental e desenvolvimento sustentável. Esta prática, a cada ano desloca mais de 9 milhões de turistas e movimenta mais de US$ 1,5 bilhão em 87 países do mundo todo. Só no Canadá são atraídos pelo turismo de observação de baleias (whale watching) 400 mil turistas a cada temporada. Não muito distante daqui, na Argentina, 100 mil turistas se dirigem à Península de Valdez entre os meses de julho e novembro, apenas para apreciar a chegada dos mamíferos gigantes. Eles saem dos mares frios da Antártida, percorrem mais de 3 mil quilômetros e chegam ao Brasil nessa época do ano para amamentar seus filhotes recém-nascidos. O que pouca gente sabe é que o litoral catarinense é uma das áreas mais importantes do planeta para a reprodução de baleias franca. Só a região de Garopaba, a 70 quilômetros de Florianópolis, recebe, todos os anos, de 80 a 100 destes dóceis visitantes. O local vira praticamente um berçário, com baleias de diversos tamanhos. O IBF - Instituto Baleia Franca -, com sedes na região, já identificou a chegada das primeiras baleias desta temporada. Uma das sedes do Instituto fica na Praia do Rosa, na cidade vizinha de Imbituba - município de 36 mil habitantes. O local é um dos melhores do mundo para a observação destes mamíferos, que podem ser avistados da areia da praia. Da caça à preservação - “Como elas são dóceis, lentas e ficam horas na superfície, é um animal muito fácil de observar”, afirma a bióloga Mônica Danielski, coordenadora geral do Instituto. “Elas podem chegar a apenas 150m de distância da areia da praia”. Foram exatamente estas características que as tornaram presas fáceis no passado. “É daí que vem o nome da espécie ‘franca’, em português, e ‘rightwale’, em inglês, que significa a ‘baleia certa para ser caçada’”, explica a oceanógrafa Simone Milach, responsável pela comunicação do Instituto. A caça ostensiva as baleias começou no século 17. O óleo era usado na iluminação e como matéria-prima para argamassas nas construções. No início do século 20 elas foram consideradas ameaçadas de extinção e, em 1937, declaradas sob proteção de tratados internacionais. No entanto, no Brasil, as décadas de 40 e 50 foram o auge da matança. A última estação baleeira só fechou as portas em 1973. “Esta espécie praticamente desapareceu de Santa Catarina”, afirma Eduardo Peixoto, presidente do Instituto Baleia Franca. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, existem atualmente apenas de 6 a 7 mil indivíduos da espécie no mundo. “Embora estes números venham melhorando, ainda há risco de extinção”. Desde 2001, o Instituto Baleia Franca trabalha pela preservação da espécie. Além de pesquisa e monitoramento dos animais, o Instituto realiza ações de educação ambiental junto aos turistas e à comunidade – como as oficinas em escolas e os cursos de educação ambiental e geração de emprego e renda. Segundo a bióloga Mônica, a legislação do turismo de observação prevê que os barcos fiquem a uma distância mínima de 100m dos animais. “A esta distância é preciso desligar os motores. E a partir daí, elas tomam conta do espetáculo, se aproximando ou se afastando. A decisão é delas”. Outro aspecto que ajuda a estimular o turismo de observação na região é a beleza do litoral de Santa Catarina. “É uma grande vantagem em comparação com outros países do mundo onde existe o turismo de observação. Com certeza, é um atrativo a mais para os turistas que percorrem o mundo para observar estes animais. A beleza daqui é única”, diz Enrique Litman, vice-presidente do IBF. Abertura de Temporada - No próximo dia 16 de julho, o Instituto realiza em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável um evento para comemorar a abertura oficial da temporada de observação. A iniciativa acontece na Praia do Rosa, em Imbituba. O objetivo é chamar a atenção para a chegada dos animais. “Queremos mobilizar a sociedade em geral: turistas, pesquisadores, moradores locais e, até mesmo, empresas que tenham interesse em apoiar projetos de pesquisa e de educação ambiental”, afirma o presidente do IBF. A intenção é alertar para a necessidade de preservação e para o potencial econômico do turismo ecológico. “Há pequenas cidades em vários países, como Taudossac, no Canadá, que se sustentam apenas com o turismo de observação”, garante Peixoto. Segundo Bráulio Barbosa, secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável, o turismo de observação de baleias é “mais do uma importante ferramenta de conscientização para a preservação. É também uma boa fonte de trabalho e renda, uma excelente forma de desenvolvimento sustentável da região e do próprio estado”. Durante o evento, o Instituto vai esclarecer como esta atividade vem se desenvolvendo no Brasil e no mundo nos últimos dez anos. A organização também vai apresentar o local onde será construído seu núcleo de pesquisas. O terreno foi obtido através de doação. Com o evento, o IBF pretende, ainda, firmar novas parcerias para viabilizar futuros projetos. Evento: Abertura da Temporada Oficial de Observação das Baleias Francas n o litoral catarinense Data: 16/07/05 Hora: 19h Local: Pousada Vida, Sol e Mar – Estrada Geral da Praia do Roda, s/n – Imbituba – SC Telefone da sede do IBF: (48) 355-6111
Fonte: Michelle Araújo::Assessoria de imprensa D/Araújo.Loducca
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